tudosobrenada

05/02/2008 17:28

CIDADES IMAGINÁRIAS

Dia desses, estava lendo uma matéria que dizia que a maioria da população da cidade de São Paulo gostaria de se mudar da cidade, caso tivesse a oportunidade.
Confesso que não fiquei surpreso, pois eu mesmo quero muito me mudar daqui. Comecei a pensar em lugares possíveis e cheguei a conclusão de que não existe na Terra uma cidade em que eu pudesse me sentir feliz.
Resolvi buscar na literatura, nos quadrinhos e em outras artes um lugar que pudesse chamar de casa.
Começo por Liliput, a cidade onde o médico Lemuel Gulliver vai parar depois que seu barco, Antílope, naufraga nos mares do Sul.
Nesse lugar, Gulliver é tratado como rei, pois sua altura supera em centenas de vezes a altura do mais alto dos habitantes da cidade. O homem-montanha, como era chamado o personagem do livro homônimo ficou atônito: como poderiam existir criaturas tão pequenas. Mas afinal, mesmo sendo muito maior, mais forte e mais poderoso que todos os liliputianos, acho que Gulliver jamais se sentiu tão diferente na vida como nos dias em que passou ao lado dos novos amigos. Seria um fardo bem grande se alimentar de um rebanho inteiro de gado diariamente e privar os homenzinhos de uma vida de farta alimentação. Acho que vou pular essa, sr Jonathan Swift!
E chegamos a Shangri-la, lugar paradisíado idealizado por James Hilton em Horizontes Perdidos. Em Shangri-la, todos são felizes e a paz pode ser sentida por todo o reino. Foi usada mais recentemente nas histórias do Questão, personagem dos quadrinhos da DC Comics, mesma editora do Superman.
Mas acho que não conseguiria viver em um lugar tão calmo. Se já não aguento a quietude de meu sono, quanto mais um lugar onde não há qualquer distúrbio.
Pensei na Cidade dos Gorilas, lugar onde vivem Solovar e Grodd, també personagens da DC Comics, mas acho que seria considerado primitivo demais pelos primos primatas. A DC ainda tem Qurac, país do Oriente médio, constantemente dominado por ditadores. E sua concorrente, a Marvel Comics, nos apresenta Madripoor e Genosha, duas ilhas com altos índices de criminalidade e dominadas, respectivamente, por mafiosos e mutantes.
Vamos pular essas duas.
E que tal Pasárgada? Lá eu teria o que quisesse. mas que chatisse ter de tudo! E quando tudo eu conquistasse o que me restaria?
Acho que o veredicto pende para o lado de Opak-Re, uma espécie de Eldorado africana, a cidade é um templo do saber e da ciência, da paz e do amor entre as pessoas.
Idealizada por Warren Ellis na brilhante série em quadrinhos Planetary, eu não titubearia em morar lá para o resto de minha vida. Mas ocidentais não são permitidos. Pena!
Tantos lugares pra onde ir e nenhum deles existe. E que tal Eureka, a cidade que dá nome à série? Lá os gênios se proliferam.
Mas, hei, eu não sou um gênio!
Acho que vou ter de ficar em São Paulo, enquanto não encontro um lugar pra ficar. Quem sabe nos meus sonhos não encontre esse lugar que tanto procuro. Quer me ajudar?

Kimota Jones, que espera encontrar esse lugar logo, logo.
enviada por Arq do Desconhecido






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