tudosobrenada

24/02/2008 11:26

PROTOCOLO DE ESCAPADA PLANETÁRIA

Quando acordou, a luz brilhava, ardida.
Não estava mais naquele mesmo lugar.
O destempero do raio prateado
Desfilava por sobre as órbitas vingadoras.

Foi levado ao lado sombrio
Por um selvagem e veloz elemento instável.
Passou por seu homônimo à velocidade de dobra.
E a bela dama tentou despi-lo,
De preconceitos e do ardil da guerra, seu congênere.

Arrebatado pelos ventos solares, viu-se perdido
Num mar de areia de descomunal beleza.
Errante, o raio gelado a serviço do gigante
O fez perceber que tudo havia ficado logo atrás.

Encontrou-se, logo além, unido ao vácuo, em meio à poeira
De um cinturão cortejado como um amante distante.
Às portas do frio glacial do infinito,
Parsecs de casa, o inebriante gás azul cobalto
O pegou como um enfante terrível.

E num mar bravio e revolto, viu resoluto o tridente do destino
Que o fitou com desdém enquanto conjurava a tempestade perfeita.
Nos confins da dama lactante, uma nova luz,
Desa vez, claudicante e povoada por microns sulfurosos,
Arremessou o ser a uma velocidade lancinante
Tão grosseiramente barulhenta
Que mesmo as vestes celestes que tudo comandam tremeram.

E no titubear da gênese do pássaro celestial
O ser encontrou o Tempo e o fim da Jornada.

Kimota Jones, inspirado em Planet Caravan
enviada por Arq do Desconhecido






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