tudosobrenada

08/04/2008 14:05

AS CRÔNICAS DO MUNDO PREVISÍVEL

TOMO 1

CAPÍTULO 2 - Revolução dos Bichos
O circo de Horrores OU De como O Acrobata se tornou milionário.


Por mais que Rick se beliscasse não conseguia acordar. Estava ali, parado em frente às nanocâmeras das grandes emissoras de tubovisão de todo o globo.
Ele, um garoto vindo do interior, de um circo, ao lado e grandes heróis como A Donzela, Bala na Cabeça e, claro, o grande Homem Previsível.

Quase se esquecera de sua dura vida no circo. Ah! O circo! Que tempo horrorosos.
No instante seguinte, ele se viu nos pavaorosos idos de sua infância, quando, após a morte dos pais, um sujeito alto, bem magro e de pele alva como uma rosa invernal, trajando nada mais que calças pretas e uma cartola azul marinho estendeu a mão a o tirou das ruas.

Doyle Hunt, sempre foi mais que o salvador de Rick, mais que um amigo, uma figura paterna para os momentos em que seu peito ardia, fosse de dor, fosse pela falta de ar nos pulmões após o exaustivo treinamento para se tornar o As, acrobata maior do Circo dos Horrores do Sr Hunt.

Chamar aquilo de circo de horrores era ser muito sutil. As criaturas menos pustilentas, aquelas mais ajeitadinhas, com menos defeitos e marcas de nascença, somente elas poderiam aparecer ao público. Criaturas como Zorgo, uma criança no corpo de um gorila roxo e amarelo; a doce Melodia, que ao abrir a boca era capaz de destruir quarteirões inteiros com a potência de suas cordas vocais; e o infame Sapo, garotinho criado pela Vovó Marreta, repulsivo, com pele verde e olhos de batráquio.

Hunt era muito bom e justo para todos, mas às vezes, Rick podia ouvir os gritos noturnos que vinham do porão do circo, nas reuniões semananais noturnas e supostamente secretas.

Um calafrio percorreu e espinha de Rick quando seu herói, o Homem Previsível, começou a apresentar, um a um, os novos vigilantes que fariam parte de seu grupo de heróis mascarados.
O flash de uma das máquinas de luz o jogou de volta ao passado. À noite em que tudo mudou. O jogou de volta ao dia em que ele destruiu o circo de horrores.

Ele havia ficado treinando até tarde no trapézio quando viu Sapo e Bolo Fofo passarem apressados, feridos e carregando dezenas de sacos brancos. Os dois mambembes não notaram a presença do pequeno trapezista, que os seguiu até o porão.

Lá, percebeu um aglomerado de pessoas que lhe pareciam familiares, sentadas à volta de uma grande mesa, com farta refeição e milhares de notas da moeda corrente.

Olhando para a cabeceira da mesa, notou que Doyle falava para todos os presentes como as coisas estavam melhorando para o circo e que, em breve, não mais precisariam de pilhagens pequenas, de punguistas amadores e latrocínios para sua sobrevivência.

Nauseabundo, Rick percebera que o conglomerado de pessoas era composto por seus amigos de circo, que se vestiam como gente normal e não tinham mais características exdrúxulas. Eles eram normais e o enganaram durante toda sua infância.

Tomado por um furor doentio, Rick saiu em disparada rumo à tenda dos fogos de artifício e, sem hesitar, recolheu dezenas de foguetes e rojões, partindo rumo ao porão.
Acendendo pavio por pavio, Rick os lançou em direção à entrada do porão, de onde começou a ouvir gritos e observar as enormes labaredas de fogo. Não satisfeito, voltou à tenda e cobriu de querosene a mesma, atenando fogo na pequena cabana. Afastando-se rapidamente para ver o fogo tomar conta de todo o terreno do Circo, não escondeu um leve olhar de aprovação.

Sem olhar para trás, Rick só conseguia pensar que havia eliminado a terrível Quadrilha Selvagem. Os assassinos de seus pais. Ele havia feito Justiça!

Sentiu um cutucão nas costelas e percebeu que seu amigo Hermes sussurrava: Acorde, Pequeno! Chegou a sua vez!
E, embaixo de um turbilhão lancinantes de flashes e gritos, o Homem Previsível apresentou ao mundo, seu mais novo protetor: O Acrobata!

Extasiado, Rick notou um homem alto de cartola no final do salão, atrás dos jornalistas. Os flashes não o permitiram ver melhor. Quando olhou novamente não havia mais nada ali. Devia ser coisa de sua cabeça.

Como ele ficou milionário? Digamos que Doyle Hunt nunca deixou qualquer ponta solta!

Retirado do livro de Contos da Acádia, de Kimota Jones e Barbara Zolomon (com a ajuda de Sophia Zolomon).
enviada por Arq do Desconhecido






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